CEOeducacao
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
1º capítulo : As Presidenciais de 2026: O essencial, o acessório e o ruído.
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Não te deixes enganar - Código do trabalho Comparativo: Antes vs. Depois do Trabalho XXI -
Comparativo: Antes vs. Depois do Trabalho XXI
Tema | Antes (Situação Atual) | Depois (Proposta do Governo) |
Contratos a termo | Duração mínima não definida; termo certo até 3 anos, incerto até 6 anos | Mínimo de 1 ano; termo certo até 3 anos, incerto até 5 anos; exceções para startups e reformados |
Contrato intermitente | Rendimentos deduzidos nas pausas | Pausas sem dedução de rendimentos |
Banco de horas | Apenas por acordo coletivo ou individual | Individual por acordo direto; coletivo exige adesão de 75% da equipa |
Teletrabalho | Regulação genérica; despesas nem sempre cobertas | Acordo obrigatório sobre local/dias/horário; despesas pagas; reuniões dentro do horário |
Licença parental | 120 dias pagos a 100%; partilha não obrigatória | Até 180 dias com partilha obrigatória para 100%; escalonamento de subsídio por duração |
Amamentação | Até 1 ano com atestado médico | Até 2 anos com atestado renovável de 6 em 6 meses |
Formação (microempresas) | 40 horas por ano | Redução para 20 horas por ano, com foco em conteúdos úteis ao posto |
Outsourcing após despedimento | Proibido por 12 meses para mesmas funções | Revogação da proibição |
Férias adicionais | Não previsto | Possibilidade de adquirir até +2 dias como faltas justificadas sem retribuição |
Duodécimos | Subsídios pagos em momentos definidos | Opção de receber em 12 meses |
Período experimental | 180 dias para primeiro emprego e desempregados de longa duração | Eliminação dessa regra |
Greve e serviços mínimos | Serviços mínimos restritos a setores críticos | Alargamento a creches, lares, abastecimento alimentar e segurança privada |
Plataformas digitais | Sem presunção de vínculo laboral | Presunção de contrato de trabalho quando há controlo sobre tarefas, horários ou preços |
Dependente económico | Sem proteção específica | Direito a representação e negociação coletiva |
Horários e férias | Divulgação física ou informal | Obrigatoriedade de divulgação visível e atualizada (intranet ou afixação) |
terça-feira, 11 de novembro de 2025
O erro silencioso da educação in Observador
Nos últimos anos, pais e professores têm-se empenhado em oferecer o melhor para os jovens, e com razão: eles são o futuro. Queremos protegê-los, guiá-los, garantir que tenham sucesso. Mas, nesse zelo, cometemos um erro silencioso: antecipamos tanto as suas necessidades que acabamos por impedir o seu crescimento.
Hoje, os jovens já não precisam procurar soluções.
Vejamos um exemplo prático: Um jovem que frequenta o Ensino Secundário e obtém avaliações negativas numa disciplina necessita de ajuda. Esse aluno irá cooperar porque percebe que esse apoio é essencial para o seu sucesso. Outro exemplo: um aluno do 8.º ano recebe apoio na disciplina de Matemática. O explicador antecipa os conteúdos, e o jovem, na aula, opta por fazer tudo, menos estar atento. Neste caso, o aluno está a sair prejudicado.
Eu também cometi esse erro. Posso relatar que decidimos que a minha filha iria fazer uma atividade de uma semana na área do Teatro. A minha filha, uma jovem de 14 anos na altura, apenas me disse:
— Alguém me consultou? Fiquei em silêncio. Ela tinha razão.
A partir dessa data, eles decidiram o que queriam fazer. Eu decidi o que queria ou podia pagar.
Quando antecipamos tudo, anulamos a oportunidade de os jovens se descobrirem.
Os jovens já não precisam investigar, nem pensar criticamente. Por quê? Porque tudo já foi resolvido por nós. Antecipamos as suas dúvidas, as suas escolhas, os seus caminhos. Até mesmo a área que vão estudar muitas vezes é decidida por adultos, sem que o jovem tenha tempo ou espaço para descobrir os seus próprios interesses.
Essa antecipação excessiva transforma a educação num roteiro fechado, onde o aluno apenas segue instruções. Ele não aprende a identificar uma necessidade, não desenvolve autonomia, não sabe pedir ajuda, não sabe que caminho seguir — porque nunca precisou. E isso é preocupante. A escola e a família deveriam ser espaços de estímulo à curiosidade, à experimentação, ao erro e à descoberta.
Pais e professores precisam refletir: estamos a formar jovens preparados para o mundo ou apenas protegidos dele? Educar é mais do que oferecer respostas — é ensinar a fazer perguntas. É permitir que o jovem se frustre, que se perca, que escolha e que volte atrás. Só assim ele aprende a pensar por si mesmo, a tomar decisões e a lidar com as consequências.
As políticas públicas também seguem essa lógica. Os programas dos sucessivos governos não oferecem estágios para que os jovens conquistem algo por mérito. Oferecem livros e férias. Os jovens já não têm de fazer nada para obter alguma coisa.
Faço uma ressalva para algumas autarquias, nomeadamente a Câmara Municipal de Cascais, reconhecida como Capital Portuguesa do Voluntariado 2024. A autarquia foi distinguida com o Galardão Autarquia Voluntária, pelo seu compromisso com o envolvimento cívico dos jovens. Destaco também o programa de voluntariado do MAAT, financiado pela Fundação da Juventude, que oferece experiências reais de participação e responsabilidade.
É hora de devolver aos jovens o protagonismo das suas vidas. De confiar que eles são capazes de sentir, pensar, escolher e aprender. A nossa função não é antecipar tudo, mas estar ao lado quando eles precisarem, como guias, não como substitutos da experiência.
https://observador.pt/opiniao/o-erro-silencioso-da-educacao/
sábado, 1 de novembro de 2025
Entre a Memória e o Futuro: Carta ao Imigrante
Vivemos tempos em que a chegada de imigrantes é muitas vezes celebrada com números: “Vêm ajudar a Segurança Social”, dizem.
Como se a dignidade humana pudesse ser reduzida a uma equação populacional. Mas a verdade é mais complexa, e mais profunda.
Caro Imigrante, que chega de avião, de barco ou de autocarro, com esperança nos olhos e promessas no bolso: é bem-vindo. Mas antes de te instalares, escuta a história do país que agora te acolhe.
Portugal não nasceu ontem. Foi reconstruído por gerações que não emigraram. Gente que ficou, que estudou, que trabalhou, que resistiu. Que enfrentou ditaduras, revoluções sociais e económicas, que lutou por direitos, por liberdade, por dignidade.
Nos anos 60, milhares de portugueses partiram, não por escolha, mas por necessidade, fugiram da guerra, da fome e da ditadura. Foram trabalhar para fábricas, minas, campos, longe da família, longe da pátria. E enquanto uns partiam, outros ficavam. E foi essa dualidade, os que emigraram e os que ficaram, que manteve Portugal de pé.
O 25 de Abril de 1974 não foi apenas uma mudança de regime, foi uma conquista coletiva.
Em 1975, 500 mil Portugueses voltam, não deixamos ninguém para trás.
Foi o início de um projeto de país onde todos pudessem ter voz, escola, saúde, trabalho e futuro.
Essas conquistas não caíram do céu. Foram arrancadas à força da história por quem acreditou que Portugal podia ser mais justo e próspero.
E mesmo quando, décadas depois, a Troika entrou pela porta da frente, impondo austeridade, cortando salários, pensões e sonhos, houve quem ficasse. Houve quem resistisse, quem reconstruísse de novo, quem não desistisse.
Hoje, tu chegas. E se vieres com vontade de somar, de respeitar, de contribuir, serás recebido de braços abertos. Mas é justo que saibas: estás a usufruir de um País que foi construído com suor, sacrifício e esperança. Não é apenas um lugar, é uma memória viva.
O País que te acolhe, a Segurança Social que te acolhe, a Escola que educa os teus filhos, o Hospital que te trata, tudo isso é fruto de décadas de luta e trabalho. Não te pedimos gratidão cega, mas pedimos consciência. Porque só com respeito mútuo se constrói uma verdadeira comunidade.
Portugal é feito de encontros. Que o teu seja um encontro feliz e justo.
https://observador.pt/opiniao/entre-a-memoria-e-o-futuro-carta-ao-imigrante/
domingo, 26 de outubro de 2025
Sobre o caso da Vereadora Susana Gravato
“Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos.” — Frase atribuída a Pitágoras
Na sociedade portuguesa, existe um consenso sobre a importância da educação das crianças. Educar não é apenas garantir o direito de frequentar a escola e ter acesso a refeições; é também transmitir valores, ética e responsabilidade, com o objetivo de evitar comportamentos prejudiciais na vida adulta.
O investimento na educação começa na família, que deve proporcionar condições para o desenvolvimento social do indivíduo. A família e a sociedade têm o dever de proteger os menores. Investir na educação é mais eficaz e humano do que corrigir erros através de punições severas.
O dever de proteção dos menores é um princípio fundamental consagrado na legislação portuguesa, especialmente na Lei n.º 147/99, de 1 de setembro, conhecida como a Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo.
Existe também uma responsabilidade coletiva: a sociedade tem um papel ativo na construção do futuro, através da educação das crianças.
Estaremos a educar bem as nossas crianças?
Quando um menor de 14 anos, alegadamente mata a própria mãe, não devemos apenas condenar o ato, mas refletir e questionar:
Como é que chegámos aqui?
Começo por refletir:
Como teve o menor acesso a uma arma de fogo?
A partir desta questão, muitas outras podem ser colocadas. Mas eu tenho apenas uma pergunta:
Estaremos, como sociedade, a agir corretamente?
E termino:
A família é vista como o primeiro espaço de proteção, devendo ser apoiada para cumprir esse papel. O Estado só intervém quando a família não consegue assegurar a proteção necessária.
domingo, 14 de setembro de 2025
O Elevador da Glória: Quando Lisboa perde o seu eixo
Em 1755, Lisboa foi devastada por um terramoto. Em 2025, perdeu um dos seus ícones: o Elevador da Glória. Só quem vive em Lisboa compreende verdadeiramente o valor deste meio de transporte, não apenas como atração turística, mas como parte vital da mobilidade urbana.
Os elevadores do Lavra, da Bica e da Glória são muito mais do que postais ilustrados. São ferramentas essenciais para quem vive, trabalha e estuda nas colinas da cidade. Em cada uma delas existem instituições de ensino, desde creches até universidades. São colinas de conhecimento, de infância, de futuro.
Enquanto o Marquês de Pombal, após o terramoto, proclamava: “Vamos enterrar os mortos e tratar dos vivos,” os políticos de 2025 parecem fazer o oposto: ressuscitam símbolos para propaganda e enterram as necessidades dos vivos. Não apresentam soluções para quem depende destes elevadores no dia a dia.
Durante anos, usei o Elevador do Lavra para levar os meus filhos à creche. Durante anos, subi na Glória para dar aulas, enquanto os meus filhos seguiam para a escola. Estes elevadores não são apenas carris e cabos — são memórias, rotinas, vidas.
As colinas que sustentam Lisboa
Colina de Santana: Conhecida como a Colina do Conhecimento, abriga creches, escolas a Faculdade de Medicina e vários hospitais.
Colina de São Roque: Onde se ergue o Bairro Alto, o Miradouro de São Pedro de Alcântara e instituições como o Liceu Passos Manuel. Uma colina de cultura e educação.
Consequências do encerramento dos elevadores
Mobilidade urbana comprometida Os elevadores ligam zonas de forte inclinação, como os Restauradores ao Bairro Alto (Glória) ou a Rua de São Paulo ao Largo do Calhariz (Bica). Sem eles, os percursos tornam-se mais longos, íngremes e inacessíveis para muitos.
Prejuízo para o turismo O Elevador da Glória é uma das imagens de marca de Lisboa. O seu encerramento afeta diretamente a experiência dos visitantes e o fluxo turístico em zonas históricas.
Pressão sobre a Carris A necessidade de alternativas eficazes recai sobre a empresa de transportes, que enfrenta o desafio de manter a cidade funcional sem estes meios.
Responsabilidade da Câmara Municipal A autarquia precisa de apresentar soluções concretas para evitar o colapso da mobilidade nas colinas e garantir acessibilidade para todos.
O encerramento do Elevador da Glória não pode ser apenas mais um episódio de indignação passageira ou de troca de acusações entre entidades. Lisboa precisa de respostas, não de culpados. A cidade exige soluções práticas, sustentáveis e inclusivas que devolvam aos seus habitantes o acesso digno às suas colinas, às suas escolas, aos seus hospitais e à sua história.
É tempo de unir esforços, ouvir quem vive a cidade todos os dias e agir com responsabilidade. Porque preservar a mobilidade é preservar a vida urbana. E Lisboa, com toda a sua beleza e complexidade, merece mais do que discursos: merece ação.
Elisa Manero
segunda-feira, 28 de julho de 2025
Trabalho Precário: A Nova Bandeira da Esquerda?
A realidade
Em maio de 2025, havia aproximadamente 348.900 pessoas desempregadas.
A taxa de desemprego situava-se em 6,3%.
A taxa de desemprego jovem (16 a 24 anos) era significativamente mais alta: 21,6%.
Cerca de 36,9% dos desempregados são de longa duração, ou seja, estão sem trabalho há mais de um ano.
O que dizem por aí:
Alguns dos mais ilustres políticos de Esquerda não se cansam de afirmar que precisamos de mais imigração.
A minha pergunta:
Será que precisamos?
Eu acho que não porque temos quase 400 000 desempregados que querem trabalhar mas não é com salário mínimo.
O Partido Socialista, o Partido Comunista, Bloco de Esquerda e o Livre querem promover as grandes fortunas à custa do trabalho precário e sem direitos dos imigrantes?
Caso Prático:
Um trabalhador com experiência não aceita o salário mínimo.
Um imigrante aceita qualquer coisa e ainda aceita trabalhar sem ter os impostos em dia, e segurança social .
Os partidos da esquerda estão a promover o trabalho precário em Portugal
O Governo necessita de tempo para regularizar todos os que cá estão, não precisamos de mais, enquanto a casa não estiver arrumada,
O Governo precisa de tempo.
Será que precisamos?
A resposta depende de como equilibramos justiça social, necessidades económicas e dignidade laboral.
Talvez o foco não deva ser “mais ou menos imigração”, mas sim:
Imigração regulada e justa
Emprego digno para todos
Combate à precariedade, independentemente da nacionalidade
Elisa Manero
domingo, 27 de julho de 2025
Pacheco Pereira no Principio da Incerteza: Como é que a Matemática contribui para a Educação Sexual? A minha resposta.
Hoje estava a ouvir o Principio da Incerteza e ouço o Comentador Pacheco Pereira questionar :
Como é que a Matemática contribui para a Educação Sexual?
A minha resposta.
1. Interpretação de Dados e Estatísticas
Taxas de gravidez na adolescência: Analisar dados por faixa etária, região ou nível socioeconômico.
Prevalência de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis): Compreender gráficos e tendências ajuda a perceber riscos reais.
Eficácia de métodos contraceptivos: Por exemplo, saber que um preservativo tem 98% de eficácia com uso correto pode ser mais impactante quando comparado com outros métodos.
2. Probabilidades e Riscos
Probabilidade de gravidez: Entender que mesmo métodos contraceptivos têm margens de falha.
Risco de transmissão de DSTs: Ajudar os alunos a perceber que múltiplos parceiros aumentam exponencialmente o risco.
Tomada de decisões informadas: Saber calcular riscos pode levar a escolhas mais conscientes.
3. Planeamento Familiar e Financeiro
Custo de criar um filho: Usar matemática para estimar despesas mensais e anuais.
Planeamento de vida: Projetar cenários futuros com ou sem filhos, com base em rendimentos e objetivos pessoais.
4. Pensamento Crítico e Lógica
Desconstrução de mitos: Usar raciocínio lógico para desmontar ideias erradas (como “não se engravida na primeira vez”).
Avaliação de fontes: Ensinar a distinguir dados confiáveis de desinformação.
5. Inclusão em Projetos Interdisciplinares
Criar projetos que envolvam matemática e educação sexual, como:
Simulações de orçamentos familiares.
Análise de campanhas de saúde pública.
Estudos estatísticos sobre comportamentos sexuais em diferentes culturas.
sexta-feira, 18 de julho de 2025
A Desumanização do SNS para com as Mães In Observador
Existe uma desumanização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no tratamento das mães.
Em 2005, soube que estava grávida. Tinha iniciado as consultas no Porto, mas acabei por
ser transferida para Lisboa. As médicas que me acompanharam foram maravilhosas —
tanto a médica do Centro de Saúde como a obstetra do Hospital D. Estefânia. Senti-me
acompanhada e respeitada durante essa fase inicial.
Durante a gravidez do meu primeiro filho, perguntei:
— Quando é que nasce?
Informaram-me que a natureza tem o seu tempo, e que o bebé poderia nascer entre as 38 e
as 42 semanas.
A partir das 38 semanas, a instrução foi clara: andar muito. Eu vivia num terceiro andar sem
elevador, por isso subia mais de 100 degraus por dia. Estávamos em abril, o tempo estava
bom, e aproveitei para passear por Lisboa. Lembro-me de subir as muralhas do Castelo de
S. Jorge três vezes. No dia 25 de abril, voltei a subir o castelo e nada. O bebé continuava
tranquilo.
No dia 30 de abril, completava 41 semanas. Comecei a sentir alterações e dores, por isso
fui à urgência durante a tarde. Mandaram-me para casa.
No dia 7 de maio completaria 42 semanas. Então, no dia 5, esperei o meu marido chegar do
trabalho e, passadas algumas horas, voltei à urgência. Quando cheguei, fizeram-me três
perguntas:
— Quando está previsto?
— O que sente?
— E a seguir, vá para casa.
À medida que me faziam estas perguntas, o meu corpo e a minha mente reagiram. Foi
como uma transformação química, física e psicológica. Passei de um estado sensível para
um estado de combate.
Respondi com firmeza:
— Não saio daqui. Pode chamar a polícia.
Encolheram os ombros… e lá me internaram.
Induziram o parto, mas o meu filho acabou por nascer por cesariana, com 41 semanas e 6
dias.
O maior medo de uma grávida é morrer no parto ou perder o seu bebé. A partir do momento
em que uma mulher está prestes a dar à luz, carrega medos profundos e, infelizmente,
depara-se muitas vezes com uma postura fria e desumanizada por parte dos profissionais
de saúde. Isso não acontece apenas com um ou outro. A falta de empatia parece estar
presente em toda a hierarquia. Todos querem dar ordens às parturientes e muitas vezes,
ordens que se contradizem entre si.
Depois do nascimento, quando a mãe regressa a casa, parece que todos à volta acham que
a vida volta ao normal. Mas isso não é verdade. A mulher que acaba de dar à luz é invadida
por conselhos, sugestões e imposições. Todos acham que sabem o que é melhor. O
segredo está em filtrar essa informação e contar com uma amiga ou familiar de confiança,
que possa ajudar e apoiar com empatia.
A partir daquele dia, decidi quais seriam as minhas prioridades: os filhos, o marido e o
trabalho.
Em conclusão: Num País com baixa taxa de natalidade não estão reunidas as condições de
segurança para grávidas. Ninguém se admire se as mulheres não queiram ter filhos.
Quando tudo corre bem, temos um excelente Administrador Hospitalar, quando as coisas
correm mal, a culpa é do Ministro da Saúde.
terça-feira, 8 de julho de 2025
Recomeço(s)…. in Observador
A Maria viveu mais de 15 anos em comum, tinha um filho. A casa era dela, paga com o ordenado dela, a escola do filho era paga pelos avós. O companheiro trabalhava, mas o dinheiro era dele. A Maria não se deu conta que sustentava a casa e o filho. Quando ele foi embora, ela começou a pensar nela. Mudou de hábitos de vida, de consumo e começou uma nova vida. Está feliz, não tem outro relacionamento, ela soube olhar por ela.
A Ana namorou 10 anos, casou, teve um filho, tinha um apartamento doado por familiares, a sua vida era perfeita. Um dia a Ana percebeu que o marido a enganava.
Uma amiga disse:
Manda-o embora.
Passaram alguns meses, voltaram, pois tinham um filho, mas antes existiu uma conversa. A Ana mudou e passou a valorizar a sua pessoa, o foco deixou de ser o marido.
O foco passou a ser ela e o filho. Passaram 15 anos, continuam juntos.
A Cristina, casou, já tinha casa, nasceram dois filhos, ambos tinham trabalho e tudo parecia bem.
Um dia, a Cristina percebeu que a sua poupança não existia, o marido tinha sido despedido por ter problemas com a bebida e o mau ambiente em casa era uma constante.
A Cristina convidou o marido a sair de casa.
Mais uma vez, a Cristina conseguiu dar a volta, pensou em si e nos seus filhos.
A Joaquina casou, teve três filhos e viveu em mais de três países da Europa, aparentemente tudo parecia correr bem. O marido começou a interferir na vida da sua filha já adulta, existiam diferenças culturais. A Joaquina teve de apresentar queixa na polícia por violência doméstica. Já passaram uns anos e a Joaquina conseguiu equilibrar a sua vida e a dos filhos.
A Isabel casou e criou três filhos, deixou de trabalhar porque segundo o marido ficava mais económico ela cuidar dos filhos em casa do que trabalhar. Mas a Isabel estudou, fez uma Licenciatura. Apesar da Isabel trabalhar em casa, para tratar dos filhos, não tinha dinheiro nem para tomar um café. Ela decidiu procurar trabalho, estudou e conseguiu-o, já tinha feito o seu trabalho de mãe e decidiu cuidar dela e procurar a sua independência financeira.
A Maria, a Ana, a Cristina, a Joaquina e a Isabel tinham habilitações e licenciaturas, casaram novas e dedicaram a sua vida ao marido e aos filhos.
Para conseguirem ultrapassar as suas mágoas e feridas, precisaram de tempo, de desabafar, de chorar e de um ombro amigo que lhes ia apresentando soluções.
Muitas vezes alguém lhes perguntou:
Que tipo de exemplo queres ser?
A certeza de todas elas, foi: Eu mereço melhor vida, e perceberam que não precisam de alguém que não as valorize, para serem felizes e bem sucedidas.
As histórias dessas mulheres tiveram um fim feliz.
Todas trabalham, não trocaram a sua independência financeira. Tinham bons exemplos familiares e souberam construir uma rede, que as ajudou a levantar e continuar o seu caminho. Estas mulheres escaparam da violência doméstica, porque perceberam que o vínculo com os filhos, era o vínculo mais importante das suas vidas.
Estas mulheres existem e deram a volta por cima. Estas mulheres são as minhas heroínas.
Concluindo: As histórias destas mulheres são realmente inspiradoras, mostram como a força interior, a independência financeira e uma rede de apoio podem transformar vidas profundamente.
https://observador.pt/opiniao/recomecos/