sábado, 25 de janeiro de 2025

O Lambe botas Parte I


O lambe botas é usado, descartado quando aparece outro lambe botas e esquecido no meio da multidão.


Durante a minha vida profissional, já encontrei “ o lambe botas “.


O lambe botas é um empregado que é conhecido por ser próximo da direção ou do presidente ou do Coordenador. 

Eu não falo com o empregado, falo com o responsável.

Quando entro de novo numa organização, começo a perceber as movimentações, identifico, o diretor, o que dizem que quer ser diretor, aquele que ser diretor ,mas ninguém sabe e também tento identificar os cortesãos.



O “Lambe botas” ajuda a engraxar o ego do líder máximo, não identifica as práticas de melhoria, e não ajuda a equipa a evoluir, o lambe botas por vezes é responsável pela divisão das equipas.


O lambe botas tem certeza que será o próximo líder, está a trabalhar para isso.

Conspira  contra o líder, quer o que outro tem , mas não tem capacidade nem conhecimentos, nem apoio para lá chegar, só lhe resta conspirar contra o líder. 


E os outros?

Os outros tem de fazer o que o líder solicita e têm de se proteger do “lambe botas”.


Como se proteger do “ Lambe botas”?


  1. Conhecer a legislação e mostrar que conhece.

  2.  Estudar os assuntos, ter uma rede de trabalho não informal

  3. e mais importante: Evitar o “ lambe botas”.


Quando o “lambe botas” se vê descartado e esquecido, vai pedir apoio, a mim não será porque como não estive na côrte, não vou arrumar os salões. 


E termino com o ditado : Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu.


Elisa Manero 



Histórias da imigraçao.

Este texto foi escrito em 2020

 A Elisabete

A Elisabete é uma senhora de cabo verde. Tem 49 anos, 6 filhos tem 1,80 e trabalha nas limpezas. Eu encontrava a Elisabete no autocarro o 709. Eu apanhava o autocarro às 7:15 da manhã e a Elisabete já ia para o seu segundo trabalho.
Ficamos amigas, conversávamos de receitas, do Natal dos filhos. Eu entrava no autocarro e andava 4 paragens. A Elisabete só parava de trabalhar às 19h. Ficamos amigas porque um dia alguém começou a gritar com o motorista e eu mandei calar essa pessoa. O motorista do autocarro necessita de estar calmo disse eu, em voz alta mas calma com o meu tom militar.
A partir desse dia, eu passei a ser cumprimentada e a cumprimentar todas essas 30 senhoras que vinham de Sintra, do Seixal, dos arredores de Lisboa.
Os imigrantes trabalham, e cuidam dos seus filhos. Mas não votam, algumas não sabem ler. Não estão legalizadas e não votam. Apesar de trabalharem nem sempre tem acesso a uma habitação decente, os filhos não tem apoios mas trabalham.
Durante cerca de 3 anos, o meu dia iniciava no 709, todas as senhoras, os netos e o motorista eram a minha companhia durante perto de 20 minutos. E a Elisabete com
1, 80 e eu com 1,50 sentadas ou de pé tínhamos a nossa conversa, dos filhos e do tempo. Mais tarde, mudei de Escola, agora vou de metro. Nunca esqueci as senhoras do 709, nunca esqueci o sorriso da Elisabete, que apesar das suas dificuldades eram alegres e que me tentaram ensinar a fazer cachupa.
Todas as reações:
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